SURGIMENTO DA CERVEJA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          Arqueologistas em Haifa.

 

UMA NOVA DESCOBERTA

Recentemente, em agosto de 2018, foi publicado um estudo no Journal of Archaeological Science que afirma que a produção de cerveja já acontecia no Oriente Médio por volta de 10.700 a.C., em Haifa/Israel.

Um time de estudiosos da Universidade de Standford e de Haifa encontraram um local de brassagens durante uma escavação em uma caverna em Israel. Nesse lugar haviam resquícios de trigo e cevada que teriam sido usados por nômades que viviam na região entre os períodos Paleolítico e Neolítico.

 “Essa descoberta seria a mais antiga evidência de produção de bebidas alcoólicas pela humanidade” diz Li Liu da equipe de Standford. Sabe-se que o homem deixou de ser nômade e começou a se assentar criando a primeira sociedade em por volta de 7.000 a.C. Portanto, essa descoberta antecede mesmo ao assentamento humano.

"Esta descoberta indica que fazer álcool não era necessariamente um resultado da produção excedente agrícola, mas foi desenvolvido para fins rituais e necessidades espirituais, pelo menos até certo ponto, antes da agricultura." Complementa Li Liu.

"A produção de cerveja era parte integrante dos rituais e banquetes, um mecanismo de regulação social nas sociedades hierárquicas", diz um dos integrantes da equipe, Jiajing Wang, da Universidade de Stanford.

Para testar sua hipótese, a equipe realizou uma série de experimentos para imitar a maneira como o antigo povo natufiano supostamente produzia cerveja: malteando o trigo ou cevada, mosturando e fervendo o malte, depois fermentando-o com fermento selvagem disponível no ar.

Um estudo cuidadoso dos grânulos de amido no laboratório sugere que este era realmente um lugar onde a cerveja era preparada e consumida, possivelmente para marcar os funerais natufianos. Até 13.000 anos atrás, o velório ainda era uma tradição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                    Comparação amido real com encontrado em Haifa.

 

"Se nós estivermos certos, este é o mais antigo testamento do mundo para a produção de álcool de qualquer tipo", disse um dos arqueólogos, Dani Nadel, da Universidade de Haifa, em Israel.

A pesquisa foi publicada no Journal of Archaeological Science. Para baixa-la na íntegra tem um custo de 31,50 dólares e você pode fazer aqui.

 

 

ANTES DESSA DESCOBERTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

              Localização da antiga Suméria.

 

Até essa descoberta, considerava-se que a cerveja tinha surgido na Suméria por meio de uns escritos na linguagem cuneiforme. Esses escritos eram de uma receita de cerveja onde se registrava os ingredientes usados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                      Receita antiga de cerveja dos sumérios.

 

O homem abandonou sua vida nômade após desenvolver técnicas de agricultura e começou a cultivar grãos. Dessa forma, o cultivo e armazenamento de cereais para subsistência permitiam que os homens pudessem se fixar em um local.

Existe uma relação direta entre pão e cerveja: os dois são feitos com grãos, água e fermento e apresentam valor nutricional semelhante. Por isso a cerveja é chamada de “pão líquido”.

Segundo a sequência de fabricação da cerveja, pode-se dizer que seu processo de produção foi descoberto por acaso.

É provável que, em determinado momento, um grupo de agricultores tenha armazenado a colheita de grãos em vasos para posterior uso e uma eventual chuva umedeceu os cereais que em seguida foram colocados para secar, surgindo assim o processo que conhecemos hoje como Malteação.

A seguinte etapa foi fazer uma espécie de sopa com esses grãos que quando abandonada foi atacada por micro-organismos presentes na atmosfera dando início ao processo de fermentação. Nesse processo produziram álcool a partir do açúcar dos grãos. Nasceu assim a cerveja.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               Mesopotâmia 4.000 a.C.: pessoas tomando cerveja em canudos.

 

Existem indícios que dizem que, quando os homens começaram a construir as cidades, por volta de 6.000 a.C., já havia produção de cerveja de maneira organizada. Os documentos antigos estão cheios de símbolos de cerveja como moeda de troca.

Em 1913, o arqueólogo Bedrich Hrozny decifrou algumas tábuas que comprovam que na região entre os rios Tigre e Eufrates, hoje Iraque, os sumérios consumiam uma bebida chamada “sikaru”. Quase vinte tipos eram produzidos para serem usados como remédio, para pagar salário de trabalhadores ou como oferenda aos deuses.

O Império Mesopotâmico deixou vários sinais da importância social da cerveja, particularmente o Código de Hamurábi. Um dos artigos desse Código previa o afogamento do cervejeiro em sua própria bebida, caso ela fosse intragável.

Na sociedade babilônica, o cervejeiro era um homem de reputação e era dispensado do serviço militar para que pudesse continuar produzindo a bebida para suprir os exércitos.

Em várias civilizações a cerveja era mais popular que o vinho ou o hidromel por sua facilidade de fabricação e armazenamento e por ser uma bebida socializante.

Considerada uma bebida nutritiva, a cerveja logo se tornou sagrada por seu efeito inebriante e foi relacionada aos deuses. A sensação de euforia devido a embriaguez levou o ser humano a fazer uma relação entre a bebida e aspectos místicos ou religiosos.

 

 

 

 

 

Por Sheila Pascon (Bräu Akademie)